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Edição #155 – Janeiro e Fevereiro/26

Linha Reta

2026 não é sobre materiais novos. É sobre sistemas bem resolvidos e executados

José Miguel - 28/02/2026

Projeto, compatibilização, inspeção/controle da qualidade, execução e manutenção da impermeabilização: é isso que separa uma obra bem entregue de uma

Crédito: https://depositphotos.com/br

Projeto, compatibilização, inspeção/controle da qualidade, execução e manutenção da impermeabilização: é isso que separa uma obra bem entregue de uma obra que o executor volta para atender a garantia — por não ter seguido os passos corretos.

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Todo começo de ano muita gente faz previsões e corre atrás da “novidade” da vez. Eu vou por outro caminho. Para mim, 2026 não vai ser decidido pelo que é novo e sim pelo que é bem executado: no projeto, na compatibilização, na inspeção, na execução e na manutenção que o cliente precisa assumir ao longo da vida útil.

A construção segue pressionada por prazo, custo e produtividade, tanto em edificações quanto em infraestrutura. Isso, por si só, não é um problema. O problema é quando a velocidade empurra o setor para o terreno conhecido do improviso. E, quase sempre, a patologia não nasce de algo sofisticado: nasce do básico mal resolvido — no projeto e, principalmente, na obra.

Por isso, a agenda que precisa guiar o ano é simples e pouco glamourosa — e justamente por isso que é eficaz:

Projeto de impermeabilização: Em 2026, vai ganhar quem projeta e cobra detalhes executáveis na obra. Encontros, arremates, mudanças de plano, ralos, juntas de dilatação: é aí que se decide o desempenho de uma impermeabilização. Projeto que funciona é aquele que considera tolerâncias de obra, sequência de frentes, acessos, proteção mecânica, exposição e a vida útil esperada, coerente com a VUP (vida útil de projeto) definida em projeto.

Compatibilização: Sistema não é uma lista de materiais. Sistema é o conjunto funcionando com a estrutura, caimentos, drenagem, juntas, passagens, proteções e manutenção. O detalhe de encontro (ralos, rodapés, arremates, passagens de tubulação, juntas e mudanças de plano) tem que ser tratado como “projeto dentro do projeto”. Quando essa conversa não acontece no papel, ela acontecerá depois — só que na forma de refazimento.

Inspeção e controle da qualidade (chamada fiscalização): Qualidade não é opinião: precisa de evidências. Critérios de aceitação de materiais, checklists por etapa, registros, testes de estanqueidade (com água ou métodos instrumentados quando fizer sentido) e, ao final, o projeto como executado (“as built”) da impermeabilização.

Execução: Mão de obra excelente e empresa que trate detalhes com precisão — como um alfaiate trata um terno. Em resumo: engenharia de impermeabilização que faz o que precisa ser feito, sem atalhos.

Manutenção: Obra entregue e o construtor encaminha memorial descritivo e, preferencialmente, um plano de manutenção claro para que o dono do imóvel ou o síndico cumpram durante a vida útil.

Esta primeira edição do ano começa com este posicionamento porque é nele que eu acredito — e é nele que a Revista Impermeabilizar vai insistir: menos fascínio por “novidades” e mais disciplina no que realmente funciona. Tecnologia é importante, mas ela só entrega resultado quando entra num sistema coerente: com projeto detalhado, execução competente e controle da qualidade de verdade.

Se 2026 for o ano em que a impermeabilização fizer melhor o básico — projeto, compatibilização, inspeção, execução e manutenção — a consequência é direta: menos retrabalho, mais desempenho e obras mais duráveis.

E eu sigo com a mesma síntese:

Sem impermeabilização, não há estanqueidade, não há eficiência, não há durabilidade. E sem durabilidade, não há sustentabilidade.

 

Engº Esp. José Miguel Farinha Morgado, fundador do Jornal e Revista Impermeabilizar


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